segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A menina do carro preto

   Aqui há dias, vinha eu todo contente a caminho de casa, a conduzir e a cantarolar como se estivesse num estádio a dar um concerto para 50.000 pessoas, e passo por um carro preto, conduzido por uma rapariga… gira, vá… e, no meio daquela “actuação”, saúdo a menina, com um aceno e um sorriso, por entre a letra da música Anna Júlia, dos Los Hermanos (sim, eu sei, mas era o que ia a dar…). A simpática condutora (felizarda, por não me conseguir ouvir) retribui com outro aceno, devolvendo o seu sorriso… o que me fez derreter todo! Tive de ir buscar uma colher para me apanhar do chão do carro :P
  
 Enfim, aquilo passou… Passaram-se uns dias, umas semanas e, de quando em vez, ao passar na mesma zona, lá me lembrava da situação e pensava: “Tonto! És mesmo parvinho! Agora andas aí a acenar às pessoas? Que vergonha!!!... Bem, mas gostava de voltar a encontrar a menina…”
   
   É aqui que vocês estão a pensar: “Olha-me este depravado, a armar-se em engraçadinho com as donzelas”. Na verdade, não sou o tipo de pessoa que se mete com as outras. Sou divertido, até um pouco extrovertido, mas sou mais do tipo “low profile” quando não conheço os outros. Naquele dia, não sei o que me deu. Talvez pela descontração, talvez por ter reparado que vinha a fazer uma daquelas figurinhas, a cantar no carro e sentir que alguém reparou na triste figura.
  
 Aqui há dias, eis que, para surpresa minha, volto a passar por um carro preto, da mesma marca e, claro, vai de olhar para ver se… e não é que era mesmo?!?! Bem, eu sou mau com caras, mas, desta vez, reconheci logo a simpática menina! E cá vai disto: um largo sorriso e novo aceno!
   
  Acho que ela me reconheceu. Não de imediato, presumo, até porque eu vinha num carro diferente (isto eu a supor que ela ligou alguma coisa ao outro episódio e que se recordava de alguma coisa – my wish…). E lá vem, novamente, aquele bonito sorriso e o aceno simpático.
   
     Então eu penso: “Bem, está a sorrir e a dizer “adeus” com uma mão e, com a outra, está a marcar o 112, para dizer que está um maluco na auto-estrada a acenar-lhe e a meter-se com ela. E já não é a 1ª vez…”.
   
  E lá seguiu, atrás de mim. Claro que aqui eu já estava a morrer de vergonha, sem saber o que fazer. De vez em quando, sorriso para aqui, sorriso para ali… Até que chegámos ao ponto de separação. Íamos seguir por sentidos opostos. Ficámos lado-a-lado… MEDO! “E agora!? Fujo? Finjo que não estou a reparar? Abro a janela e digo alguma coisa?... Não, isso não! Vai sair um disparate, de certeza!”

   E é aqui que algo se apodera de mim e, sem ainda hoje saber como é que fui capaz, faço o sinal típico de “vamos tomar um café?” :O

   A gentil moça sorri novamente e, de uma forma que nem consigo descrever, acena negativamente com a cabeça. É que fê-lo de uma forma… tão fofa que nem se coaduna com uma recusa! Não foi de forma rude ou convencida. Foi algo do tipo: “Não… mas muito obrigada!” E eu, fiz um sinal com a mão, como que a dizer “ok, desculpa ter perguntado”. E lá seguimos, a sorrir.

   A verdade é que, agora, venho sempre com vontade de voltar a encontrar a menina do carro preto. É parvo, eu sei, e não significou nada. Mas venho mais atento ao trânsito… se é que me entendem.

Se a situação mexeu comigo? Claro que não!!!!!

 Ok… mexeu um pouco :S  

   Sim, somos adultos, mas a idealização está sempre presente: “E se ela aceitar o café da próxima vez, se eu voltar a convidar? E se é uma rapariga fantástica? E se o nome dela… é Anna Júlia!?”

   Mas também está sempre presente aquela vozinha: “Está quieto! Deixa-te disso! Não passes vergonhas! Segue com a tua vidinha e esquece isso! Ela é casada… tem herpes. É muito chata e passa-se quando vê as coisas desarrumadas. Não te vai ligar nenhuma! Vai ser uma lapa! Cheira mal do pés!”

   E agora?! E se houver próxima vez? O que faço? Sim, digam-me: O que faço??

   Bem, o mais provável é que não aconteça nada. Vou passar e fingir que não reparei… mas lá que foi engraçado, isso foi! :D



   PS: Menina do carro preto, se estás a ler isto… não, não sou um maluco depravado… ok, talvez um pouco doido, mas assenta-me bem :P Hummm…  hoje aceitas um café? :%)

8 comentários:

  1. Que pena que tenho um carro cinza!
    Eu voltava a insistir no cafezinho 😉

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    1. Quem sabe se eu não sou um pouco daltónico! :P
      De qualquer forma, eu digo-te por onde passo e quando encontrar carros cinza faço figura de maluco! Das duas, uma: ou ganho uma companhia para um café ou sou detido! :D

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    2. E é onde??? Olha que se fosse comigo era capaz de aceitar o café. Só naquela...curiosidade! ;p

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    3. E seria um prazer. Posso informar-te em MP, mas não sei como o fazer...

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    4. Eheh. Desclpem não é intromissão. É uma observação para a mente masculina. Por mais encantado que um homem fique por uma mulher, se aparecer outra não desperdiça oportunidades. Até vira daltónico eheh. Talvez seja isso mesmo o que é suposto se fazer. Afinal... nunca se sabe.

      (e me vou, que estou a sentir-me uma intrusa)

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    5. Portuguesinha, isso que dizes tem algum fundamento. Do ponto de vista evolutivo, é verdade que temos uma tendência nesse sentido. Contudo, desde pequenos que todos somos modelados para viver em sociedade, com todas as "normas" e ensinamentos.
      E, alguns de nós, temos valores.
      Quando se diz "não desperdiça oportunidades" é preciso ponderar ao que se está disposto. Quem gosta de verdade, olha e aprecia as redondezas e, se tiver a felicidade de ter alguém "especial", segue o seu caminho ;)

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  2. O instinto animal é quase sempre a opção da mente masculina.
    Mas esse inside para o raciocínio masculino é interessante. Existe sempre isso na mente de um homem, certo? O da mulher é mais: "ele é giro... acenou-me eheheh! Vou por aquela estrada à mesma hora para ver se o volto a ver. Será que ele vai reparar em mim?" Depois acontece como previsto mas a mulher é mais acanhada, em princípio sabe que não se fazem engates no trânsito, cada qual dentro do seu carro.. Terás de a seguir, fingir que a encontras casualmente, ela vai entrar em pânico a achar que és um stalker e depois nunca se sabe... eheheh. É aí que a mente feminina passa a ser como a masculina, antes de ver o sinal a avançar :)))

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    1. Nem é tanto a questão do instinto animal sempre presente. às vezes, o rapaz pode estar apenas a ser simpático, ou até a querer passar a mensagem: "olha, acho-te gira" e isso não implicar outras intenções. A questão é que, na nossa sociedade, quando uma rapariga é abordada, seja de que forma for, faz sempre aquele ar de "olha-me este... não vou sequer olhar" mas, na verdade, o que pensa é mais algo do género "que bom, ele reparou em mim! deixa lá ver como ele é... espera, não posso! Tenho de manter esta postura fria e de quem não passa cartão... mas eu quero ver... não posso! Aiiiii".
      E o que se passou, neste caso, foi que a rapariga foi genuína e, penso eu, sentiu o aceno como um gesto simpático. E retribuiu de forma genuína e pura. Não houve ali maldade nenhuma nem segundas intenções. E foi isso que me despertou vontade de conhecer aquela pessoa. Até porque eu preciso de pessoas novas na minha vida...

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