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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Cães à luta!

Boas, meus caros!

   Isto de estar solteiro (ou ser solteiro, ainda não sei) tem as suas particularidades. Algumas, vou descobrindo aos poucos. Nem todas boas, nem todas más.

   Claro que é bom ter um compromisso com alguém, o amor e tal… sim, é! Mas não é disso que estou a falar. Estou a falar dos pequenos pormenores, de coisas mais superficiais, pequenos elementos diferenciadores das duas situações.

   Por exemplo, por vezes sinto falta de chegar a casa e ter alguém à minha espera (com o jantar feito, então, era excelente), alguém que me pergunte como correu o dia, que me dê um abraço e essas coisas lamechas por aí fora… Brutal, seria algo do género: “Amor, estás com um ar tão cansado e tão tenso… deita-te ali na cama que vou fazer-te uma massagem relaxante. A seguir, vou-te preparar a tua refeição favorita, terminando com aquela sobremesa que adoraste no passado fim-de-semana! Depois, fico ao teu lado, a dar-te miminhos, enquanto vemos o futebol!” OK, ACORDA!!!!! ESTÁS A SONHAR OUTRA VEZ!!! Continuando… claro que é bom ter alguém com quem conversar, partilhar aqueles momentos especiais que só são possíveis com aquela pessoa. Claro que é bom viver a dois, deixemo-nos de tretas! Contudo, apenas quando é verdadeiro, quando é certo, quando aquelas duas pessoas se excedem mutuamente, apenas por estarem uma com a outra (foi lindo, não foi?).

   Por outro lado, e relembrando que estamos no âmbito da superficialidade, estar solteiro também tem as suas vantagens ou, dito de outra maneira, os seus pontos positivos… menos negativos… whatever!
   E, não me alongando muito, quero apenas referir dois momentos particulares em que sinto isso mesmo. Um deles, repete-se ciclicamente: o “ir às compras”! Pondo isto de forma simples e directa: ODEIO!!!!! NÃO QUERO!!! NÃOOOOO!!!! E a vantagem da situação actual é que… só vou se quiser :D E chego a pensar, mesmo: “Humm, tenho de ir às compras… mas não me apetece… olha, não vou!” E sorrio, lembrando: “Aqui há uns tempos atrás tinha de ir e mais nada. Porque… ‘tem de ser’” Agora, usufruo do livre arbítrio (oh, abençoado) e, maioria das vezes, fico em casa, gozando do meu poder de decisão: AQUI MANDO EU!!! SOU O REI NO MEU CASTELO!!!!! FAÇO O QUE EU QUERO, OUVISTE???... …. … Hummm, estou aqui a gritar com quem? Tem juízo, pá! Tse, tse... Vergonhoso...”

É óbvio que é recorrente faltarem-me coisas em casa e que, por vezes, sinto fome à noitinha e a única coisa disponível é algo tipo chispalhada à transmontana (ideal para apaziguar o estômago a meio da noite)… mas pronto, só vou às compras se quiser. Toma!

   Mas, mais recentemente, tive um novo vislumbrar da beleza que é a vida de solteiro. E é esse que quero enfatizar, por ser mais recente e por me ter feito soltar um sorriso largo. Sorriso sarcástico, de gozo… pelo ridículo, quiçá.

   Imaginem o seguinte cenário: dois cães, três, quatro, uma matilha… completamente atiçados uns contra os outros, furiosos, cheios de energia. Nisto, são largados uns por cima dos outros. E entram numa luta desalvorada, épica, uma coisa nunca antes vista. E a luta dura e dura, por várias horas, uma coisa impressionante.
   
   E vocês perguntam: “Mas qual a finalidade desta imagem mental?” Bem, contextualizando, estou eu preparado para ir descansar, ao fim de um dia de trabalho complicado. Estou cansado, preciso mesmo de me deitar e não pensar em mais nada. Visto o pijama e, antes de me deitar, por mero acaso, calhou olhar para a cama antes de lá cair. E, na verdade, o que parecia era que aquela luta de cães tinha tido lugar ali mesmo! Sim, ali! Na minha cama! Os lençóis estavam revoltados, a colcha enrolada sobre si mesma cerca de um milhão de vezes, as almofadas numa disposição ilógica…


   E eu, simplesmente… sorri e soltei uma pequena gargalhada. Algo do tipo: “ok… não quero saber, vou-me deitar mesmo assim”. Se isto teria sido possível há uns tempo atrás? Nem por sombras! Caminha sempre feita! E, em paz, deito-me e passei, certamente, uma bela noite de sono.