Aqui há dias, vinha eu todo contente a caminho de casa, a
conduzir e a cantarolar como se estivesse num estádio a dar um concerto para
50.000 pessoas, e passo por um carro preto, conduzido por uma rapariga… gira,
vá… e, no meio daquela “actuação”, saúdo a menina, com um aceno e um sorriso,
por entre a letra da música Anna Júlia,
dos Los Hermanos (sim, eu sei, mas era o que ia a dar…). A simpática condutora
(felizarda, por não me conseguir ouvir) retribui com outro aceno, devolvendo o
seu sorriso… o que me fez derreter todo! Tive de ir buscar uma colher para me
apanhar do chão do carro :P
Enfim, aquilo passou… Passaram-se uns dias, umas semanas e,
de quando em vez, ao passar na mesma zona, lá me lembrava da situação e
pensava: “Tonto! És mesmo parvinho! Agora andas aí a acenar às pessoas? Que
vergonha!!!... Bem, mas gostava de voltar a encontrar a menina…”
É aqui que vocês estão a pensar: “Olha-me este depravado, a
armar-se em engraçadinho com as donzelas”. Na verdade, não sou o tipo de pessoa
que se mete com as outras. Sou divertido, até um pouco extrovertido, mas sou
mais do tipo “low profile” quando não conheço os outros. Naquele dia, não sei o
que me deu. Talvez pela descontração, talvez por ter reparado que vinha a fazer
uma daquelas figurinhas, a cantar no carro e sentir que alguém reparou na
triste figura.
Aqui há dias, eis que, para surpresa minha, volto a passar
por um carro preto, da mesma marca e, claro, vai de olhar para ver se… e não é
que era mesmo?!?! Bem, eu sou mau com caras, mas, desta vez, reconheci logo a
simpática menina! E cá vai disto: um largo sorriso e novo aceno!
Acho que ela me reconheceu. Não de imediato, presumo, até
porque eu vinha num carro diferente (isto eu a supor que ela ligou alguma coisa
ao outro episódio e que se recordava de alguma coisa – my wish…). E lá vem,
novamente, aquele bonito sorriso e o aceno simpático.
Então eu penso: “Bem, está a sorrir e a dizer “adeus”
com uma mão e, com a outra, está a marcar o 112, para dizer que está um maluco
na auto-estrada a acenar-lhe e a meter-se com ela. E já não é a 1ª vez…”.
E lá seguiu, atrás de mim. Claro que aqui eu já estava a
morrer de vergonha, sem saber o que fazer. De vez em quando, sorriso para aqui,
sorriso para ali… Até que chegámos ao ponto de separação. Íamos seguir por
sentidos opostos. Ficámos lado-a-lado… MEDO! “E agora!? Fujo? Finjo que não
estou a reparar? Abro a janela e digo alguma coisa?... Não, isso não! Vai sair
um disparate, de certeza!”
E é aqui que algo se apodera de mim e, sem ainda hoje saber
como é que fui capaz, faço o sinal típico de “vamos tomar um café?” :O
A gentil moça sorri novamente e, de uma forma que nem
consigo descrever, acena negativamente com a cabeça. É que fê-lo de uma forma…
tão fofa que nem se coaduna com uma recusa! Não foi de forma rude ou
convencida. Foi algo do tipo: “Não… mas muito obrigada!” E eu, fiz um sinal com
a mão, como que a dizer “ok, desculpa ter perguntado”. E lá seguimos, a sorrir.
A verdade é que, agora, venho sempre com vontade de voltar a
encontrar a menina do carro preto. É parvo, eu sei, e não significou nada. Mas
venho mais atento ao trânsito… se é que me entendem.
Se a situação mexeu comigo? Claro que não!!!!!
Ok… mexeu um pouco
:S
Sim, somos adultos, mas a idealização está sempre presente:
“E se ela aceitar o café da próxima vez, se eu voltar a convidar? E se é uma
rapariga fantástica? E se o nome dela… é Anna Júlia!?”
Mas também está sempre presente aquela vozinha: “Está
quieto! Deixa-te disso! Não passes vergonhas! Segue com a tua vidinha e esquece
isso! Ela é casada… tem herpes. É muito chata e passa-se quando vê as coisas
desarrumadas. Não te vai ligar nenhuma! Vai ser uma lapa! Cheira mal do pés!”
E agora?! E se houver próxima vez? O que faço? Sim,
digam-me: O que faço??
Bem, o mais provável é que não aconteça nada. Vou passar e
fingir que não reparei… mas lá que foi engraçado, isso foi! :D
PS: Menina do carro preto, se estás a ler isto… não, não sou
um maluco depravado… ok, talvez um pouco doido, mas assenta-me bem :P Hummm… hoje aceitas um café? :%)