Olá! Hoje vou contar-vos uma das minhas saídas com raparigas,
assim… meio às cegas. Sim, claro que já o fiz! Tu também, portanto abstém-te de
comentários pseudo-moralistas ;)
Vamos ao que interessa. O caso que vos conto, começa com a
insistência de uma amiga minha, no sentido de eu “ter” de conhecer uma amiga
dela. Falou-me um pouco dela, traços gerais e afins. Eu, como habitualmente, a
ouvir e sempre na palhaçada: “Estás a impingir-me uma encalhada, está-se mesmo
a ver” e coisas assim do género. Para ser sincero, retive pouco da informação.
Contudo, um dia recebo um pedido de amizade no facebook e, ao fim de momentos
de total “anhanço”, lá percebo que é a tal rapariga. Muito bem. Pelas fotos
(sim, claro que fui ver e apreciar, dahhh), parecia uma rapariga normal. Nada
de fantástico, mas também nada de fugir. Fico na minha e, ao fim de umas horas,
ela mete conversa no chat. E assim começa a história.
Ao longo de várias semanas, eventualmente, meses (sou
péssimo com datas… e com nomes… e com caras…), lá fomos conversando e sabendo
um pouco mais um sobre o outro. Com o tempo, a rapariga começou, apesar de
tudo, a revelar um aspecto menos positivo da sua personalidade… como é que eu
hei-de explicar… bem, nós ainda nem nos conhecíamos pessoalmente e ela já
parecia que “cobrava” se eu não dava atenção: “Nunca mais me ligaste nenhuma”;
“Se não quiseres conversar mais, diz, porque eu já percebi”; “Antes falavas
mais, agora já não… e eu sei que falas com outras pessoas”. MEDO!!! Bem, eu já
não sou muito a favor de “arranjinhos”, mas esta forma de estar fez-me,
realmente, perder a maior parte do interesse.
Um dia, depois de um período em que deixámos de falar
regularmente, lá surge o convite para irmos “tomar um café”. “Ok, não há-de ser
muito mau”, pensei eu. Tinha outro evento, antes, e combinámos perto do local
onde eu já estaria. Quando fico despachado, vou para o local combinado. Porém,
nesta altura só me apetecia ir para casa. Não estava com vontade nenhuma para
ir sair e só pensava “bem, ela é um bocado stressada e complicada, isto não vai
correr bem… tiram-me daqui!!!”.
Às tantas, enquanto espero, reparo numa rapariga giríssima,
que vinha do meu lado esquerdo: “Wow, tão gira! Mas, espera, não vou estar a
olhar para a moça, porque a outra deve estar a chegar e, se me vê a olhar para
outra rapariga, para além de não parecer bem, é possível que ainda faça alguma
cena de ciúmes, ou sei lá”. Sim, nesta fase, aliada a minha pouca vontade de
fazer o que quer que seja, estava na minha memória a “personalidade difícil e
complicada” que eu havia já preconcebido. Então, lá desvio o olhar da rapariga
gira e olho em frente, para o vazio… mas, sei lá… é mais forte que eu: “Eu
tenho de olhar, vá lá! Só mais uma vez, assim rapidinho! Faz de conta que estás
a olhar casualmente! Vá, bora!”. E olho! Qual não é o meu espanto :O A rapariga
vinha a rir-se para mim! “Não pode!”, pensei eu. Mas era mesmo! Era ela!!!
Vocês perguntam: “Mas tu não tinhas já visto fotos dela?” E
eu respondo: “Sim, mas eu quando disse que era péssimo com caras, não estava a
exagerar”. Talvez haja aqui uma atenuante. Enquanto que algumas pessoas ficam
melhor nas fotos do que ao vivo, outras terão o efeito contrário. E este
“exemplar” era um destes últimos casos! Resumindo: como eu costumo dizer, “era
mesmo o meu número!” :P
Feitos os cumprimentos habituais, lá fomos, rua fora, sem um
destino definido (típico da minha parte). Azar dos azares: rua povoada de lojas
de moda. Nem trinta metros andados, ela lá vê uma loja de sapatos e… toca a
entrar!!! Ainda pensei em ficar cá fora, mas achei que não seria muito bonito. Mas
já sei como isto funciona: Loja de sapatos + rapariga = Vai correr mal! Mas
pronto, lá entrei. Já lá dentro (e eu a pensar, “bem, deve ser só uma vista de
olhos, não tarda regressamos a terreno seguro”), ela fixa-se numa das prateleiras
e eis que acontece: “Vá, ajuda-me a escolher! Diz-me dois pares, destes todos
que estão aqui!”… e eu fiquei azul! Escolher sapatos?? Oh, minha amiga… Bem, lá
tive de me desenrascar. E como é que eu o fiz? Vejam lá se fui esperto ou não:
Olhei para os sapatos que ela trazia (era uns “botins”, ou lá como se chamam) e
tentei comparar com os que estavam expostos. De seguida, com um ar de extrema
confiança (por dentro eu estava assim… pequenino, muito pequeniiiiiiino) digo: “estes
e… estes! Ãh, que tal?”. E ela faz um ar de… condescendência e diz: “Sim, boa
escolha”. Na verdade, soou mais a “bolas, miúdo, estás mesmo à nora! Se eu
algum dia usaria isto! Tse, tse…”. E lá saímos…
Depois disto, jantar, conversa animada, passeiozinho de
despedida e, verdade seja dita, foi uma boa surpresa: acabou por ser muito
agradável, contrariamente ao que eu esperava. Foi divertida, muito bem-disposta
e agradável.
Todavia, o tempo e novos “eventos” voltaram a revelar uma
personalidade complicada, “cobranças” sem sentido e muita ambivalência. Eu, que
sou uma pessoa calma e agradável, um dia tive mesmo de antecipar o final de um
jantar. Mas nada de arrependimentos! Ainda mantemos o contacto de tempos a
tempos.
Moral da história: Não sei bem, mas assim de repente, não
antecipar desgraças; Não confiar nos meus sentidos; e, sobretudo, não sou bom a
escolher sapatos!