segunda-feira, 8 de junho de 2020

As palavras dos outros

Ainda sobre o tema quente da actualidade (da minha) e num tom um pouco menos lamechas que o anterior.

Decidi partilhar convosco aquilo que tenho ouvido por parte dos meus amigos que souberam da minha "história" mais recente. Não sou do género de partilhar a minha vida, sou até bastante recatado, nesse aspecto. Contudo, algumas pessoas mais próximas foram sabendo dos desenvolvimentos, desde o céu até ao inferno. E, claro, toda a gente tem uma opinião, um comentário a fazer. E lembrei-me de alguns que recebi, os quais partilho, de seguida.

Não há uma ordem cronológica ou lógica na forma como os vou expor. Quando o "doce começou a azedar", foi assim que aconteceu.

Em primeiro lugar, um colega e amigo, que foi acompanhando tudo desde o início. Assim que as coisas começaram a correr mal, decidiu dar-me o seu melhor conselho, de cabeça baixa e a olhar para os pés, como que desapontado e resignado. Aqui fica o diálogo:

- Epa... sai disso. Sai...
- Então?
- Sai... sai...
- Mas... "sai"? As coisas não são assim...
-Sai... sai...

Conciso, mas elucidativo. Foi isto. Não disse mais nada. Como é óbvio, não saí. Hoje, olho para trás e vejo o que teria poupado se, simplesmente, tivesse seguido as suas palavras sábias.

Continuando, agora com uma opinião feminina. Ela diz:

"Isso foi uma ilusão que tu criaste. Pegaste na informação inicial que tinhas e criaste um ser maravilhoso, imaginário, em cima dessa rapariga. O ser que o cérebro cria é perfeito. Não havias tu de ir ao céu e voltar... Feito por ti... melhor seria impossível! Ninguém sabe melhor como te agradar como tu próprio. (...). Esquece isso. Essa tipa não tem por onde se lhe pegue. Tens milhões de raparigas no mundo, muito melhores (...) Isso está morto! Esquece!"

Um pouco mais duro, mas interessante. Existiram outras frases mais duras, que decidi não revelar. Na verdade, criamos a partir do nada. Ou quase nada. No início, temos alguma informação. O que falta, idealizamos, imaginamos como gostaríamos que fosse. Nem sempre a realidade vem confirmar a imagem que criámos.

Por último, outra opinião feminina: 

"Isso acaba quando tu decidires que acaba. Tu tens esse poder e és responsável por isso. (...) O teu cérebro está a enganar-te. Terá existido um momento específico em que criaste essa imagem. Pode ter sido um sorriso, um toque, um olhar... qualquer coisa. E, nesse momento, criaste um quadro. Aprisionaste o sentimento que o momento produziu e associaste-o a essa imagem. Seja o que for que tenha produzido em ti: amor, carinho, sensação de segurança, alegria... qualquer sentimento. E o teu cérebro disse: 'Ok, Solteiro nos Trintas, esta é a tal. Aquela que temos procurado está aqui. O seu nome é _______!'
Então, o pensamento desse quadro específico está a dar cabo de ti e a manter-te preso, porque o cérebro pensa que esse sentimento vem com a ______! Mas, tens de entender que esse sentimento, na verdade, vem de ti! É maravilhoso, mas esta coisa maravilhosa e bela vem do teu coração!
Então, não tens de deixar de o sentir. Fecha os olhos e pensa nesse sentimento. Desfruta-o! Tenta apagar a cara dela, torna-a desfocada na tua mente. O sentimento continua lá, porque sempre foste tu, a todo o momento. E serás sempre tu! Se não fosses capaz de amar ou de sentir, isso nunca teria existido. Portanto, foca-te em ti mesmo e na pessoa maravilhosa que és. Isso pertence-te a ti. Não o retraias! Podes sentir, do fundo do coração, com ela ou sem ela."

Bem, quanto a este... não é preciso dizer nada, certo? Ciência e filosofia em comunhão.

Os amigos são importantes, sempre. Nos momentos mais chatos, ainda mais. Este assunto só eu o posso resolver, no entanto. Frases como "esquece isso", "segue em frente", "tens muito melhor por aí" ou "o que tem de ser, será" vêm com boas intenções, mas a mudança não ocorre num estalar de dedos. É um processo. Às vezes mais rápido, outras mais lento. E vai correr tudo bem..


4 comentários:

  1. Ok! Mas não precisam crucificar a moça, afinal quem a pintou foi o trintas, não ela, certo?
    E mesmo que fosse ela, quando um não quer, dois não existem.
    Ouve todos trinta, ou não, mas decide TU, pá! Nem pareces português :-)

    Só para desanuviar...

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    1. Ela não se portou bem. Daí alguns comentários mais rudes. Eu errei na imagem que criei. Aquilo que eu gostaria que ela fosse...
      Mas(!), sem ressentimentos. Cada um dá o que tem e a mais não é obrigado. Por isso, consigo guardar o que foi bom.

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    2. Na vida tudo é tão relativo.
      No caso, aos olhos de uns ela não se portou bem. Se formos falar com amigos dela, o trintas não se terá portado bem.
      É mau quando se espera do outro aquilo que o outro não tem para dar, ou pelo menos, para dar na medida que NÓS esperamos que dê.
      Se não há, realmente, ressentimentos, arruma a casa trintas, e segue em frente :)

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    3. Modéstia à parte, eu fui impecável. E não sou de ficar ressentido. Espero arrumar este assunto e, da próxima vez que a vir, possa sorrir e dizer "olá".

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