O tempo passou e tanta coisa mudou...
Terá mesmo mudado?
Sim, mudou. Vivi, aprendi, errei, aprendi novamente. Jurei não cometer os mesmos erros. Cometi! E aprendi de novo. Até quando? Não sei.
O livro da minha história tem novos capítulos. Se são bons ou maus? São novos capítulos. Não mudaria nada. Tudo faz parte da experiência, da nossa história.
Mudei de emprego. Faço algo que gosto, sou bom no que faço e sou reconhecido por isso. Estou rodeado por gente boa. Trabalhamos arduamente, mas rimos muito. Agarrei-me a isto, por algum tempo. Perdi um pouco do resto. O resto, não estava bem. Não era bom para nenhum dos dois. Desgastei-me. Desesperei. Vi o erro cometido. Fiz chorar...
Libertei-me. Libertei-nos! Vivi a melhor fase da minha vida. Senti-me livre, solto, mais experiente. Sem medo de começar de novo. Abri o peito e abracei cada novo dia.
Recebi o retorno: "Estás diferente! Estás mais alegre!". O que aí vinha...
Conheci-te. Cativaste-me. Cativei-te, sei que sim. Senti-me vivo, de novo. Senti-me um adolescente parvo. Aquele primeiro encontro... Da estranheza inicial até ao querer que o tempo parasse. Querer que aquela noite nunca mais acabasse. Porque, de repente, ali estava eu, a descobrir. Tão iguais e tão diferentes. Eu, igual a mim mesmo. Desastrado... fiz mais uma das minhas. Tu, a cada palavra, me conquistavas a atenção. Tentei não perder-me nos teus olhos, nem no jeito dos teus lábios, quando falas. Senti-me bem contigo.
Quis mais. Não quis esperar. Porquê esperar? Aí, talvez, o primeiro erro. Agi cedo demais. Falei cedo demais. Pareceu-me certo. Fizeste-me crer que era certo. Aquele momento, tão perfeito. Tão perfeito, tão perfeito, a envergonhar tantos realizadores de cinema...
Mas tão depressa voámos, tão depressa voltámos ao chão. O certo, já não parecia tão certo. Num momento, senti todo o fôlego arrancado de dentro de mim. Bom demais, para ser verdade?
Ainda te começava a conhecer. Ainda pouco sabia, quando achava que sabia muito.
Resisti. Quantas vezes cair, tantas outras me levanto. Mas não, ainda não estávamos aí! Ainda teríamos mais.
Criámos segunda oportunidade. E voámos, mais alto do que da primeira. Tiveste-me, e eu sei que te tive. Agora sim, tudo vai dar certo.
Mas não... contigo não é assim. Arrasaste-me. Magoaste-me. Disseste o que não se diz, da pior forma que se pode dizer.
Mas, quando se bate no chão com tanta força, aproveitamos o ressalto. E fi-lo. Peguei nisso para me tornar mais forte. Sem saberes, foste a motivação. Não foi fácil. Foi, até, muito difícil. Muito difícil, mesmo. Mas só havia uma alternativa: seguir em frente.
Foste especial. És especial. Aqui surgiu o medo. O medo de não voltar a sentir o que senti contigo. O medo de mais ninguém chegar lá perto. O medo de, a cada entrelaçar de dedos, me lembrar de ti e de como os nossos encaixavam tão perfeitamente. O medo do beijo não saber ao mesmo...
O tempo passou. Dizem que, o tempo, tudo cura... E eu pensei que sim. A medo, pensei que sim. E, confiante, terei cometido novo erro. Pensei que poderia voltar a estar contigo sem despertar os mesmos sentimentos. Tão parvo. Tão estúpido. Tão ingénuo. E o jogo começou, novamente. Desta vez, pensei que poderia ser eu a distribuir o meu jogo. Ahahahahah. Claro que não. Quando dei conta, estava à mercê, de novo. Um fantoche, nas tuas mãos.
E é quando percebes que, após tanta experiência, tantos capítulos, ainda nada sabes. Quando achas que te conheces, apercebes-te que ainda há muito para aprender.
E agora? Estarei a ver mal? Será que o óbvio não é assim tão óbvio? Será que é? Procuro uma resposta, mas sei que não a vou conseguir. Perdi-te muitas vezes, para o conseguir.
Se perdeu, é porque não era para ser, ponto final.
ResponderEliminarAcredito piamente que cada pessoa que cruza connosco, vem com um propósito e talvez essa pessoa nem disso tenha consciência. Chegam, ficam uns dias, uns meses, uns anos e seguem caminho (nós fazemos o mesmo com outras pessoas)cada um de nós deverá colher ensinamento com o melhor e o menos bom que nos deixam.
Creio que é assim que crescemos enquanto pessoas.
E penso que devamos analisar a coisa muito bem, para sabermos se não fomos nós que as mandamos embora, ao querer demais, ou simplesmente imaginarmos aquela pessoa como queríamos que fosse, e nos enganamos a nós mesmos. O início de qualquer coisa é sempre fantasiado, encanta-nos os olhos e desenhamos a boca; Admiramos a forma de se expressar, e pintamos as maneiras, e por aí fora, até que um dia acordamos com os olhos lavados e... qué qué isto!
Se calhar é tudo isto e nada disto.
Boa tarde, e bom regresso se for o caso
Obrigado pelas palavras!
EliminarConcordo com todas as frases que deixou (já lá vamos à primeira). A idealização é um problema, sabemos disso, e acontece sempre. Os ensinamentos que ficam, sempre importantes.
Dito isto, ainda estou nos 30's. Contudo, sinto que já cresci muito enquanto pessoa, através das experiências e da reflexão. Porém, fui apanhado de surpresa, desta vez. Não entendo o outro lado nem aquilo que sinto. Porque é que esta pessoa me elicita todos estes sentimentos que me inquietam? Porque é que parece tão errado e, ao mesmo tempo, tão certo?
Quanto à primeira frase ( e isto talvez seja a minha forma de explicação, aquela que eu quero acreditar, sabendo que nada sei), cada um de nós carrega uma história. Como disse, perdi demasiadas vezes. Se estou disposto a arriscar de novo? A minha cabeça diz-me que não. Tudo o resto não me deixa deixar de acreditar.
O que é "todo o resto"? ahahahahah
EliminarA parte racional está óptima e diz-me que o melhor é seguir em frente e esquecer qualquer possibilidade de relação. "Tudo o resto" refere-se à parte emocional. E as duas partes andam "à bulha" a toda a hora.
EliminarNunca me sujeitei a este tipo de situação. Desta vez, esstá complicado.
Ai trintas, ca ganda confusão, até parece um birabento ahahahahah
EliminarAhahah. Eu ou ela?
EliminarQual ela, qual quê! Quem me parece no mato sem cachorro não é ela, ou é? E se é, então porque raio anda o trintas num era e não era em cima da ponte?
EliminarNão, tens razão. O "desgraçadinho" sou eu. Coloquei a questão porque o comportamento do outro lado também pode ser descrito dessa forma.
EliminarÓ trintas se a coisa é assim, manda-a semear batata e tu vai para trolha ganhar 27, enquanto não entras nos "entas" a ver se a coisa acalma e o discernimento assenta. :-)
EliminarFácil de dizer e de pensar... difícil de fazer...
EliminarA frase é sua
Eliminar"Nunca me sujeitei a este tipo de situação"
Quem está de fora, racha lenha:
- Umas vezes consegue ver com mais distanciamento.
- Outras, e porque só ouve/lê uma parte, melhor fora estivesse calado, o que pode ser muito bem o meu caso.
Caso intrincado, mas que só vocês podem e devem solucionar.
Boa sorte
Obrigado! E Estás a ver bem. Toda a gente que sabe (poucos) diz o mesmo.
EliminarObrigada por ter passado no meu blogue e deixado o convite para vir ao seu. O que li aqui já me agradou. É para voltar, gosto de blogues onde se escreve sobre sentimentos. Também o meu é basicamente isso e por essa razao revi-me em algumas coisas que aqui mencionas. Pois nao é que recentemente também o cupido me fez esse mal? Recentemente é um termo relativo... quase um ano. E ainda parece que foi a semana passada. Todos me disseram que nao era para ser, esquece, anda em frente. É um processo com varias recaidas, todas elas emocionalmente intensas em sofrimento. Agarre-se aos momentos em que esta livre. Pense nessa liberdade. E quando esta comecar a ser amecada por lembranças, trave-as de imediato. Eu sei que o que apetece é deixá-las vir, entrar e nos inundar. Mas é travar logo à distância. Só pelo silencio, ruido ou cheiro que possam emitir antes de aparecerem em pleno.
ResponderEliminarObrigado pelo comentário, Portuguesinha!
ResponderEliminarAqui, o problema não são só as lembranças. Claro que estas me afectam, e muito. A outra parte é o facto de esta pessoa se fazer sentir presente, sempre que eu acho que me estou a conseguir afastar emocionalmente.
O meu caso é bem recente. O último episódio foi mesmo há muito pouco tempo. E eu bem tento dizer que não, a mim mesmo. Mas vou cedendo, arranjando desculpas para me pôr a jeito, de novo.